Não pra mim
Ouvi ou vi algumas histórias por
aí sobre aquilo que não se pode permitir.
Disseram que é uma dádiva quando eu questionei ser castigo.
Contaram-me que cheirava a flores enquanto me roubava o fôlego.
Prometeram risos estonteantes, mas as batidas do meu coração me ensurdeciam.
Descreveram brisas leves onde eu encontrei tempestades.
E como posso eu sabe-lo “Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”
Disseram que é uma dádiva quando eu questionei ser castigo.
Contaram-me que cheirava a flores enquanto me roubava o fôlego.
Prometeram risos estonteantes, mas as batidas do meu coração me ensurdeciam.
Descreveram brisas leves onde eu encontrei tempestades.
E como posso eu sabe-lo “Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”
Conspire, Universo
Lá
fora há um céu de estrelas cadentes a realizar um pedido já perdido.
Desapareço por entre ondas quase sinestésicas para emergir onde as possibilidades não se rendem a razão e não me impedem de semear entre os frutos já em decomposição.
Sem pestanejar a realidade ofende o ego, assalta o pudor e atém os mais miseráveis sentimentos na consciência já sobrecarregada.
Vejo um horizonte sem limites refletido na sua pupila dilatada, mas sob meus cílios repousam algumas lágrimas cálidas e incrédulas, que ardem por desejar.
Seca me a boca, tudo sobre meu querer já foi dito e respondido com todas as letras na recusa em cada olhar.
A fantasia que não se alimenta...
...e os motivos que se contradizem enquanto emendam a perfeição dilacerada à essa constante hesitação.
Desapareço por entre ondas quase sinestésicas para emergir onde as possibilidades não se rendem a razão e não me impedem de semear entre os frutos já em decomposição.
Sem pestanejar a realidade ofende o ego, assalta o pudor e atém os mais miseráveis sentimentos na consciência já sobrecarregada.
Vejo um horizonte sem limites refletido na sua pupila dilatada, mas sob meus cílios repousam algumas lágrimas cálidas e incrédulas, que ardem por desejar.
Seca me a boca, tudo sobre meu querer já foi dito e respondido com todas as letras na recusa em cada olhar.
A fantasia que não se alimenta...
...e os motivos que se contradizem enquanto emendam a perfeição dilacerada à essa constante hesitação.
Sobre ônibus e pontuações
Observo o céu pela janela embaçada, entre os rabiscos que
fiz vejo infinitos tons escuros manchados por raios claros e profundos, a chuva
cai devagar e os fones no ouvido trocam os trovões por um melodia envolvente e
misteriosa, trilha sonora perfeita para
um possível programa mal intencionado, mas não é o caso.
Ao meu lado, a melhor companhia que eu podia ter; minha
aflorada e desinibida imaginação, ora ocupada com as sombras no teto, ora
escrevendo cartas para quem não sabe ler, nem tão focada, muito menos
vigilante.
Fabrico motivos a me atordoar e tento me livrar deles com
poucas lembranças que guardo entre tantas fantasias.
Fecho os olhos e sorrio quando minha pele arrepia, assim que
os abro, já não lembro a razão.
Me desfaço para tentar entender e tento não mais pensar
nisso.
Viajar nunca é só percorrer caminhos, essas poltronas
desconfortáveis são ótimos divãs.
Estrada é terapia.
Viajar é ajeitar as palavras, rasurar, experimentar sinônimos
e descartar antônimos.
Levo a mala cheia de interrogações e desembarco cheia de reticências,
mudo de lugar algumas vírgulas e entre isso e aquilo acomodo minhas certezas.
O que já era indefinido volta em outro idioma, o desejo só aumenta,
a razão idem.
Eu, eu mesma e as palavras
E numa tarde quente, me vi fugindo de rimas vulgares a
narrar o duelo sentimentalista que me faz disparar o peito.
Ops!
Passei tanto tempo “sem sentir” que mal recordava dessa condição.
De um lado o apego a razão, bravejando sobre como isso parece banal.
Do outro a vontade de quebrar a cara, implorando afeto e consideração.
Diante um céu de possibilidades mais coerentes, pára o tempo enquanto eu me lembro de apreciar a loucura de pouco entender sobre quem sou e ainda assim deixar que ansiedade de saber como realizar cada desejo tome conta dos meus pensamentos e salte para tela como insetos atraídos pela luz.
Ops!
Passei tanto tempo “sem sentir” que mal recordava dessa condição.
De um lado o apego a razão, bravejando sobre como isso parece banal.
Do outro a vontade de quebrar a cara, implorando afeto e consideração.
Diante um céu de possibilidades mais coerentes, pára o tempo enquanto eu me lembro de apreciar a loucura de pouco entender sobre quem sou e ainda assim deixar que ansiedade de saber como realizar cada desejo tome conta dos meus pensamentos e salte para tela como insetos atraídos pela luz.
Nós
Não se preocupe, guarde seu medo e saiba que eu tenho coragem por
nós dois.
Quando chegar a noite, contaremos nosso segredo às estrelas, mas
não a todas e nem todos os detalhes.
E se alguma cair, ah, que nos desejamos cada vez mais.
Um dia lembraremos disso: jovens famintos, de
ego inflado e desejos inflamáveis.
E não haverá mais certo ou errado. E não haverá mais medo.
(Nem tempo)
(Nem tempo)
(Nem senso)
Guerra
Escapa-me a razão em cada vã tentativa de controlá-la.
A terra gira sob meus pés enquanto o universo
desaba sobre meus ombros e nada pesa mais do que a consciência de que eu estou
cada vez mais envolvida, mesmo sem saber do que realmente se trata essa situação.
Não há saída que satisfaça o desejo sagaz que
toma conta do meu corpo sem desordenar a quase atingida busca pelo equilíbrio mental.
Se ao menos houvessem palavras que explicassem, tamanha incerteza
logo se renderia a um dos dois lado da força e seja lá qual fosse, desde que o
fizesse com clareza, inclinaria para onde o vento soprasse e me agradaria dos
assovios leves quando vez ou outra a brisa sibilasse na contramão.
Não tão feliz
Ah aquele sorriso que me desafia, me fazendo pensar se
é felicidade ou ironia.
Questiona-me sobre os mais vis conceitos e contradiz toda lembrança em cada novo gesto.
Rasga-me feito papel rabiscado, amassado no bolso molhado pelo suor dos beijos não dados.
Regras inventadas e que já não podem ser quebradas.
Se era amor, eu já nem sei.
Se é fantasia, jamais saberei.
Por que se não se pode falar, de nada adianta amar.
Questiona-me sobre os mais vis conceitos e contradiz toda lembrança em cada novo gesto.
Rasga-me feito papel rabiscado, amassado no bolso molhado pelo suor dos beijos não dados.
Regras inventadas e que já não podem ser quebradas.
Se era amor, eu já nem sei.
Se é fantasia, jamais saberei.
Por que se não se pode falar, de nada adianta amar.
Feito tecido de algodão
Me viu juntar todas as pontas sem nós que ainda
restava.
Me viu acenar sem saber se me despedia ou se te
chamava.
Me viu cair feito chuva a inundar seu chão.
E agora, não me importo se seus olhos quando me
veem, ardem ou não.
Tão longe quanto puder alcançar
Abra os olhos e me diga o que está acontecendo
Conte-me sobre os monstros sufocados no armario, para onde
eles irão quando não sobrar mais nada?
Será fácil se você puder deixar tudo pra trás.
Sem pensar, sem exitar.
Sem pensar, sem exitar.
Sinta a coragem espalhar pelas suas veias e venha comigo.
Mantenho seu peito aquecido em troca de uma canção quando eu
adormecer,
Vamos sussurrar palavrões quando estivermos tristes e rir quando passar.
Não precisamos de nada disso, podemos sentir o fogo sem nos
queimar.
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